Viver longe de casa entre a saudade e o recomeço
Photo: Reprodução Internet


Reflexões sobre as alegrias e tristezas de mudar de país

Mudar de país… Nossa, é uma mistura de sentimentos que nem sempre dá para explicar direito. Tem dias que parece a melhor decisão da vida. Noutros, bate aquela saudade que parece que vai rasgar o peito. E aí você começa a se perguntar se fez a escolha certa ou se só estava fugindo de alguma coisa.

O começo costuma ser pesado. Tudo é estranho. Desde o jeito que as pessoas falam até o jeito que elas olham. E não é nem que sejam hostis, é só… diferente. Você se sente meio invisível, meio fora do lugar. Tem essa sensação constante de não pertencer, como se estivesse sempre assistindo à vida passar por uma vitrine.

A saudade de casa? Nem se fala. É tipo um fundo musical que toca o tempo todo, mesmo quando você tenta não ouvir. E o pior é quando você pensa que pode acontecer algo com alguém lá, e você está aqui, longe demais para fazer qualquer coisa. Tipo, a ideia de não poder se despedir da sua mãe ou de alguém querido — isso pesa de um jeito que ninguém te prepara. E ninguém fala sobre isso nas propagandas de "vida nova fora do país".

Tem dias em que tudo irrita. O idioma, os costumes, até a comida. Você sente falta do feijão com arroz do jeito certo, do barulho da sua rua, das piadas que só fazem sentido em português. E por mais que tente se adaptar, às vezes só queria uma conversa que não precisasse pensar duas vezes antes de falar. Porque sim, tem hora que até falar cansa. Parece que sua voz não encaixa no lugar novo.

E tem gente que vai te tratar diferente. Às vezes com curiosidade, às vezes com preconceito disfarçado de "brincadeira". Você aprende a rir junto, mas no fundo, aquilo vai deixando marquinha. Vai mexendo com sua autoestima, com sua confiança. A vontade de se esconder aparece de vez em quando.

Mas aí, entre um perrengue e outro, começa a vir uma coragem que você nem sabia que tinha. Você aprende a resolver coisas sozinho, a pedir ajuda, a errar sem se destruir por isso. Começa a se abrir para novas formas de ver o mundo. Vai conhecendo gente que também está perdida, e juntos vocês viram uma bagunça meio bonita.

Aos poucos, esse lugar novo deixa de ser tão estranho. Não que vire “casa” de verdade — talvez nunca vire. Mas você encontra uns cantinhos que acolhem. Uns rostos que viraram porto seguro. E percebe que, no meio do caos, cresceu. Mudou. Se descobriu de outro jeito.

Mudar de país é isso. É dor e descoberta andando de mãos dadas. É sentir que perdeu muita coisa, mas também ganhou partes de si que nunca teria conhecido se tivesse ficado parado.

E mesmo nos dias mais difíceis, tem sempre uma coisinha pequena que lembra que, no fundo, tudo isso faz parte. Porque crescer, às vezes, é só isso mesmo: se perder um pouco, para se encontrar de outro jeito.

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